domingo, 2 de outubro de 2011

EAD e Eu

Primeiramente gostaria de saudar a todos os colegas de curso e nossa querida tutora. Sei que já passou da data de postagem, mas gostaria de postar ainda assim. Então, vamos lá!

A EAD têm sido uma experiência bem diferente na minha vida como professor. Já estou na profissão há aproximadamente 8 anos e há 1 ano tenho trabalhado na modalidade á distância. A primeira vez que ouvi falar de cursos de graduação à distância foi em propagandas de faculdades particulares na TV, e mais próximo a mim quando a Professora Dra. Vládia Borges nos falou sobre o fato de a UFC estar se preparando para ofertar os cursos à distância. Devo confessar que naquele primeiro momento entortei, muito bem torto por sinal rsrsrs, o meu nariz para a idéia.

Não acreditava de forma alguma que isso poderia dar certo em se tratando, principalmente, dos cursos de Letras com habilitação em línguas estrangeiras. Devo este preconceito inicial há dificuldade que senti durante todo o processo de aprendizagem de uma língua estrangeira em modo presencial e logo pensei “Imagina só isso à distância! Não vai funcionar nunca!”.

Então, isso foi em uma das disciplinas finais da graduação e logo após minha formatura recebi por duas vezes convites para participar da seleção de tutores, as quais recusei por preconceito e por falta de tempo também. Passado algum tempo, recebi um e-mail de uma das minhas professoras da faculdade avisando do edital de seleção de tutores. Ao receber esta terceira oportunidade, resvoli participar e ver como era. Deixei um pouco o preconceito de lado e me inscrevi. Fui, então, selecionado e ingressei no curso de formação de tutores, o qual me trouxe uma nova visão em relação à modalidade a distância. Juntamente com o curso de formação de tutores já ingressei como tutor em uma disciplina em Piquet Carneiro e recebi muito apoio de outros colegas que já eram tutores, bem como um grande apoio da professora titular da disciplina.

É isso, foi um começo um tanto complicado, pois precisei me adaptar para passar para a linguagem escrita certos aspectos que ajudam muito quando do uso da linguagem oral como diferentes tons de voz para que consigamos chamar a atenção, cativar e emocionar o outro. Muitas vezes precisamos cativar o aluno através do como nós dizemos algo, ou mesmo suavizar um pouco o tom de voz para que a chama de atenção não seja tão ríspida. Outra questão era como corrigir o aluno nos foruns, bem como corrigir as atividades? Ter que nos adaptarmos ao uso de ferramentas tecnológicas para fazermos coisas que nos parecem tão natual quando temos caneta e papel na mão não é tão fácil quanto parece ao vermos isso na televisão.

Outra adaptação foi o como lidar e cativar alunos que só nos vêm por duas ou três vezes durante a disciplina. Nos encontros presenciais chegamos para dizer como tudo vai ser e de alguma “impor” as regras da disciplina, daí por diantes só nos verão pessoalmente quando vamos fazer revisão e avaliá-los. Ou seja, nossa imagem fica ligada a momentos um tanto estressantes para eles, pois durante toda a disciplina fazemos o acompanhamento virtual, onde só nos lêem, mas não vêem certas expressões que ajudam nos laços que construímos com eles. E acredito que esse laços afetivos ajudam muito no processo de aprendizagem. Ou seja, toda a disciplina foi um aprendizado constante para mim por ser uma situação completamente nova para mim.

Para fechar, devo dizer que assim como os alunos trazem toda uma bagagem enquanto alunos da modalidade presencial, nós trazemos essa mesma bagagem de alunos, a qual junta-se à bagagem de professores do modo presencial. Portanto, cada nova disciplina e cada nova experiência em EAD vem me trazendo enriquecimento como profissional e me faz refletir a respeito da nossa posição enquanto professores não só na sala de aula como dentro da nossa sociedade, pois não dá para tratar do assundo descontextualizado do momento histórico em que se dá, bem como a influência que a sociedade tem sobre nós e sofre de nossa parte.

Um comentário:

  1. Maicon, obrigada pelo "querida"!
    Achei muito interessante seu relato, do início ao fim, pois você mostrou uma situação inicial de "preconceito" com a modalidade de ensino, que foi superada. É fundamental esse seu olhar sobre a bagagem trazida por nós e por nossos alunos, isso deve ser valorizado. Seu posicionamento sobre a nossa imagem também me fez refletir... Para diminuir esse impacto negativo, procuro me relacionar com eles de forma cordial, até carinhosa, apesar de cobrar as responsabilidades deles (nem tudo são flores).

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